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AUTISMO

Autismo: Diagnóstico precoce é fundamental para estimular crianças na comunicação e socialização.

Sinais de autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade. A desordem é duas a quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. Doença atinge 70 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são cerca de 2 milhões.

Tema constantemente debatido por especialistas, o diagnóstico precoce do autismo – que, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, atinge 70 milhões de pessoas no mundo e no Brasil cerca de 2 milhões –, ainda não é consenso entre os profissionais da área médica. Vem ganhando força porém a tese de que iniciar uma intervenção o quanto antes, quando a criança apresenta os primeiros possíveis sintomas, ajuda os pais a ganhar um tempo precioso para estimular o cérebro de seus filhos portadores do problema. De acordo com Fábio Barbirato, psiquiatra da infância e da adolescência e coordenador do Serviço de Atendimento e Psiquiatria Infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, hoje é possível detectar o autismo numa criança entre 12 meses e 18 meses de vida. Para isso, porém, é preciso profissionais treinados.
O autismo, de fato, é uma doença de diagnóstico difícil, que apresenta sinais raramente conclusivos. Quanto antes os pais levarem seus filhos para avaliação médica, melhor. Uma abordagem desse tipo adotada por pesquisadores do Davis Health System, ligado à Universidade da Califórnia (EUA), vem, aparentemente, eliminando sintomas e atrasos no desenvolvimento de crianças autistas que receberam estímulos específicos a partir dos seis meses.

Comportamento

Pesquisa do governo americano mostra que o número de casos de autismo em 2010 (últimos dados disponíveis) aumentou quase 30% em relação aos dados anteriores (de 2008), quando se apontava que havia um caso para cada 88 crianças e quase 60% em comparação com 2006, quando foi registrado um caso para 110 crianças normais. A maioria das crianças foi diagnosticada após os 4 anos. Em 2010, essa relação subiu para uma em cada 68 crianças com 8 anos de idade. Os números são do CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão máximo do governo americano para a saúde. Segundo Barbirato, o espectro autista tem basicamente duas características: na socialização e na comunicação (a criança não fala, nem aponta o que quer, ou fala mas não tem reciprocidade social; algumas podem melhorar a linguagem, mas não conseguem manter um diálogo) e as alterações de comportamento. Entre elas, pode haver uma inflexibilidade com mudanças na rotina, movimentos estereotipados (repetitivos com as mãos ou mexer o corpo de forma anormal), e um interesse não usual na intensidade ou no foco (por exemplo, ficar aficcionado por palitos de picolé). “Quando a intervenção é realizada em crianças menores de 3 anos, a melhora é de 80%. Aos 5 anos, cai para 70%, e acima disso fica muito prejudicada”, observa.

Mitos e verdades

Mito – O problema é causado pela relação mãe e filho.
Verdade – Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento de forte base genética.
Mito – A criança não aceita afeto ou beijos.
Verdade – Sim, pode aceitar.
Mito – Ou a criança é superinteligente ou tem grave défict intelectual.
Verdade – Pode haver uma supercapacidade de memória, mas o autista se concentra num interesse só.
Mito – Dietas podem controlar o autismo.
Verdade – Não existe comprovação científica sobre isso

Risperidona

A substância age na irritabilidade e agressividade, sintomas comuns no autismo. 
O remédio é usado para tratar as chamadas psicoses. Isto significa que ele tem um efeito favorável sobre um certo número de transtornos relacionados ao pensamento e às emoções. De acordo com o fabricante do remédio, a Risperidona é indicada para o tratamento de transtornos do comportamento, para pacientes com demência nos quais os sintomas como agressividade, transtornos psicomotores ou sintomas psicóticos são comuns. Além do uso em pessoas com autismo, o medicamento é usado para os tratamentos de esquizofrenia e transtorno bipolar.
A risperidona é um antipsicótico que age como antagonista dos receptores da dopamina e serotonina. Faz parte do grupo de antipsicóticos usualmente chamados de atípicos ou de segunda geração, os quais são reconhecidos pelo menor risco de incidência de efeitos extrapiramidais comparados aos antipsicóticos de primeira geração.
O sistema extrapiramidal é uma rede de neurônios localizada no cérebro humano que faz parte do sistema motor envolvido na coordenação dos movimentos. E os efeitos extrapiramidais ocorrem porque os medicamentos chamados de antipsicóticos afetam os efeitos da dopamina no cérebro.

Atenção: crianças podem tomar medicamentos psicotrópicos?

O tratamento de transtornos mentais em crianças e adolescentes é bastante complexo e exige postura bastante cuidadosa por parte do(s) profissional(ais) que o realiza(m). Os plurais se referem à tendência cada vez mais forte do trabalho multidisciplinar, com vários profissionais contribuindo para o diagnóstico e tratamento de necessidades múltiplas. A avaliação cuidadosa exige que se use parâmetros psicológicos, fisiológicos e sociais, para detectar as dificuldades que cada criança/adolescente apresenta. Transtornos psiquiátricos são definidos a partir de alterações no humor, na cognição e/ou no comportamento que afetam significativamente vários aspectos do funcionamento e desenvolvimento da criança/adolescente. As várias dimensões do transtorno devem ser avaliadas e levadas em conta no momento de se escolher os recursos terapêuticos a serem utilizados. O tratamento farmacológico se destina a controlar sintomas específicos, auxiliando o benefício de outras intervenções terapêuticas. Por exemplo, uma criança pode estar com tal grau de desatenção e hiperatividade que não consegue ficar sentada na sala de aula e aprender. Encaminhada para seguimento com psicopedagoga pode apresentar as mesmas dificuldades e não conseguir aproveitar o tratamento oferecido. Com o uso da medicação adequada, pode haver o controle dos sintomas de forma que a criança possa aderir ao acompanhamento psicopedagógico e se beneficiar com ele.
Por se tratarem de pessoas em desenvolvimento, o tratamento deve buscar não só o controle dos sintomas mas também o retorno ao caminho da evolução esperada para sua idade e contexto sócio-cultural. A necessidade do uso de medicação para determinados sintomas-alvo deve ser constantemente reavaliada porque muitas questões se resolvem com o amadurecimento, outras se transformam e outras só vão surgir mais tarde. O que é adequado em uma idade pode não ser em outra, a avaliação precisa ser abrangente e continuada.
Os objetivos do uso de medicação precisam ser bem discutido com o paciente e seus responsáveis, dentro das possibilidades de compreensão de cada um. Desde o começo é importante definir os sintomas-alvo, aqueles que se espera que a medicação ajude a controlar. Os possíveis efeitos colaterais também precisam ser esclarecidos antes do início do uso. Alguns medicamentos exigem exames laboratoriais antes do início do tratamento e no seu decorrer. O controle do crescimento em altura e peso também deve ser feito, pois alguns medicamentos podem interferir com apetite, metabolismo, ganho de peso. Como são corpos que mudam, não só em tamanho, como em funcionamento, as doses devem ser ajustadas com frequência, para garantir efeito terapêutico e evitar os efeitos colaterais.

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